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Blog do marcelo pegado
 


Mudar

No meu pensamento, o "quero mudar" era latente

Quero mudar. É bom mudar um pouco, por isso subi as três longas escadas rolantes e percorri os largos corredores do shopping daqui perto de casa, com as mãos atoladas nos bolsos, pois o ar-condicionado parecia querer gelar a alma, para tomar um café, que não o habitual. Alguns grandes locais de lojas que ainda não foram abertas, faziam com que os corredores parecessem sem fim e me senti num certo ponto, numa terra de ninguém, pelos pouquíssimos traseuntes e os rostos de desconsolo dos vendedores nas lojas. Sentei-me numa das cadeiras que compunham a mesinha de canto e logo fui abordado por uma mocinha que me trouxe um cardápio. Não me detive em abri-lo, e fui logo pedindo um café expresso. A mocinha simpática sorriu e caminhou até o balcão acionando um dos botões de uma lustrosa cafeteira. Aos poucos vi o líquido negro preencher a xícara e algo me veio à mente, a pensar em petróleo. Por alguns instantes pensei que sorveria petróleo. Foi quando a mocinha colocou a xícara a minha frente e baixinho falou: "Pronto, senhor...". Parece então que acordei, como num estalo. Acompanhando o café, havia uma espécie de waffler com uma ponta de chocolate. Arrisquei experimentar, já que não havia companhia a quem oferecesse. Gostei muito do waffler e depois de alguns goles de café, resolvi perguntar sobre à mocinha por trás do balcão, se havia aquele biscoitinho à venda. "Sim, senhor. Está aqui", respondeu-me de pronto, colocando uma caixa em cima da mesa e emendando: "Vou deixar aqui para ver se o senhor resolve levar". Conferi a embalagem e resolvi saber o preço, em tom de blagle: "Quanto custa? Uns trezentos reais?", pois tudo naquela loja parceia muio caro. A mocinha sorriu leve e falou que não, custava apenas dezoito reais a caixa com doze unidades. Deixei para depois, então. Pedi uma água com gás e depois encaminhei-me até o caixa para pagar. Novamente no corredor, tudo parecia mais deserto ainda naquele terceiro piso inconcluso do shopping. De certa forma, senti um certo arrependimento porque não fui tomar o meu café vespertino no local habitual, afora que teria de percorer de volta todo aquele longo, largo e frio, muito frio corredor de volta. Mas eu não queria mudar? Então o fiz. Afinal, da última vez que voltei no café habitual, um novo garçom quase me faz engolir uma xícara goela abaixo, quando tropeçou no pé do banco alto, quando me postava no balcão, mesmo sem pedido de desculpa, descortês e mal preparado. E quando lembrei-me disso, estava justamente passando em frente a uma luxuosa relojoaria, que exibia grandes mostradores do mais puro cristal; joias, relógios, óculos de grife, coisas assim. Imagine aquele "pobre coitado" garçom do café numa loja dessas, que desastre seria! Desci as três escadas rolantes e procurei me situar para encontrar o carro no estacionamento. Mas queria eu mudar, tinha isso comigo naquele momento. Foi quando olhei-me num dos espelhos do grande magazine e me vi o mesmo de sempre, com detalhes de cansaço estampado no rosto. Resolvi ir depressa para casa, tomar um banho, comer alguma coisa, esquecer o computador, a televisão, os livros o violão e deitar-me "para me recuperar", pensei. No silêncio, a vizinha e sua neta pareciam como que enlouquecidas, uma praticamente gritando com a outra, numa tremenda algazarra, mas certamente alegariam estar conversando. No meu pensamento, o "quero mudar" era latente, mas inacessível. Quem sabe amanhã... Foi quando veio o sono e tudo se apagou.   

"Estou só e não há ninguém no espelho." (Jorge Luis Borges) 



Escrito por marcelo pegado às 18h08
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Divino

Com toda certeza, uma jóia rara para se ter a sete chaves.

Simples, divino!

 E estava lá na prateleira, como que olhando para mim há dias. Manuseei várias vezes conferindo aquelas fotos que traziam uma mulher de sorriso belíssimo, transbordando de leveza; ao  lado, grafado, "Simples Marcela". Na lista de canções, doze faixas numa compilação do que há de melhor da nossa Bossa e logo abaixo, aviso de "Produzido por Marcio Menescal". Era a certeza de uma pérola dessas que nem todo o dinheiro do mundo faria com que dela nos desfizéssemos; grande achado! E trouxe ontem comigo essa preciosidade, tratando de fazer uma longa audição de um dos melhores álbuns entre as gratas novidades da nossa vasta e generosa música brasileira. Marcela Mangabeira é uma recifense, que amadureceu (mesmo tendo só 25 anos) em Cuiabá e atualmente se instalou no Rio de Janeiro, para não fugir à regra e que já transcende barreiras, pois o seu trabalho já está no mercado japonês com boas perspectivas. Com arranjos de Marcio e Roberto Menescal, o primeiro no auxílio do baixo acústico, programação e vocais e o segundo que assina o violão e a guitarra, a voz suave de Marcela ainda conta com Guta Meneses na gaita, Sergio Galvão na flauta, Dudum no fluguel, Flávio Mendes e Adriano Souza nos teclados, fechando o leque de músicos ditos acima da média. Atenção para a interpretação da linda "Insensatez" e não esquecer do repeat para "Os Grilos". O arranjo de "A Rã", está deslumbrante e mostra que Marcela veio para ficar. Mas o bom mesmo é escutar o CD da primeira à ultima faixa, deixando-se levar pela sonoridade perfeita e descobrir todas as nuances musicais da grande Marcela, que de simples só tem mesmo a sua proposta de chegar onde pensou chegar e bem rápido, sem retoques: no ápice da Música Popular Brasileira. Podem "correr" e comprar o CD Simples da maravilhosa Marcela Mangabeira e escutá-lo muito, pois não há de cansar, jamais. Com toda certeza, uma joia rara para se ter a sete chaves. Simples, divino!



Escrito por marcelo pegado às 21h31
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